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Atividades na Quarentena – Carta às futuras gerações

Atividade Izabel - Beatriz
Beatriz Akemi Ito de Sá

Adamantina (SP), 23 de julho de 2020.

Prezado futuro leitor,

Escrevo-lhe esta carta com a mera intenção de confidenciar minhas percepções sobre o conturbado ano de 2020. O que poderia ser melhor para compreender um fato histórico marcante, com influência em todo o planeta, que os escritos de um indivíduo presente na época?

Pois bem, começarei pelo dia em que tudo mudou. Era mais uma típica segunda-feira. Como uma jovem normal de 16 anos, fui à escola pela manhã esperando por um dia tedioso de aulas e professores repreendendo alunos baderneiros, mas uma notícia dada pela diretora nos surpreendeu: as aulas seriam suspensas por um período.

Logicamente, o mundo já se atentava à epidemia que se expandia na província chinesa de Wuhan. Porém, a situação se agravou e rapidamente a doença (Covid-19) já infectava pessoas de todos os continentes.  Isso pressionou os governos a tomarem providências, resultando na implantação do isolamento social.

Maldito distanciamento social! Há quatro meses permanecemos em casa. Não vou mais à escola ou realizo atividades da minha antiga rotina; as relações sociais foram limitadas ao mundo das redes e, para alguns, a convivência familiar tornou-se conflituosa.  Entretanto, este cenário de pandemia não só está servindo de aprendizado, como também explicitou ainda mais desigualdades sociais.

Pessoas que viviam atarefadas, com uma rotina desgastante das grandes cidades, agora trabalham em suas casas, com tranquilidade e conforto, mas ainda assim se incomodam com o “confinamento”. O tempo livre antes escasso, passou a ser motivo de tédio na vida de alguns indivíduos ou utilizado pra inúmeras novas ocupações, que não eram possíveis anteriormente.

Eu, por exemplo, passei a apreciar pequenas coisas como: beber um café no quintal da minha casa observando o céu, ler um livro ao entardecer ou ir de bicicleta a um loteamento afastado da cidade para contemplar o panorama. Por outro lado, a maior parte da população sofre com problemas financeiros e dificuldade de acesso à educação. A situação econômica do país é desanimadora e o desemprego se agrava a cada mês.

Em todo esse contexto, quem agradece é natureza. Com o desaceleramento da produção industrial e da sociedade no geral, os níveis de poluição do ar e das águas foram amenizados. O planeta finalmente recebeu um alívio da constante pressão da modernidade.

Por fim, só nos resta dúvidas de como será o mundo pós-pandemia. Com tantas mudanças, a única coisa que podemos afirmar é que nossas vidas não retornarão à “normalidade”. O que será do mundo globalizado como conhecíamos? Quais carreiras serão de destaque no futuro e quais serão descartadas? Afinal, o ser humano irá aprender o que realmente importa? Outras pandemias estão por vir? Bom, isso você leitor já deve saber.

Aguardando ansiosamente pelo que virá a seguir
Beatriz

Atividade Izabel - Beatriz 02
Foto: Beatriz A. Ito, outubro/2020

Com a pandemia, o comércio local teve uma acentuada queda no número de clientes que visitam as lojas. Na foto, a funcionária de uma floricultura cuida das flores expostas utilizando máscara de proteção. O álcool em gel está disposto na mesa, como medida de proteção, para todos que adentrarem o estabelecimento.